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quinta-feira, 8 de março de 2012

Sem Título XI

Olhos seus
Podiam ser
de qualquer cor

Azuis como o céu
Profundos como o mar
Penetrantes como frio gelo
pr'arrepiar até a raiz do fio de cabelo
mas não

Verdes como limão
Agridoces com um gosto de mistério
Ou leves como a brisa que balança as folhas
das árvores da mata na manhã de verão
mas não

Pretos como o breu
Incógnitos e firmes
Que obrigam a chegar um pouco mais perto
pr'apreciar o castanho que lhe consiste
mas não

Não ao céu
não ao limão
não ao breu

Pois eu já sei
nenhuma canção
pode dizer como é
a sensação
de ver os seus olhos
assim, cor-de-mel.

terça-feira, 6 de março de 2012

Sem Título X

O caminho mais simples
nem sempre é o mais fácil
Pois pra buscar um sim
É difícil pra caralho

A mudança de estações
E a mudança de corações
Não ocorrem ao mesmo tempo
E assim continua sendo

Pois não dá pra ver o destino
que cada vez chega mais perto
Se uma silhueta no caminho
tampa toda a vista decerto

Mas se a cabeça insiste
em não olhar pro lado
e ver o que aí existe,
sou eu quem fica de lado

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sem Título IX

Sou um poeta que explora
um lado errado do verso
e é por isso que lhe peço
para que me compreenda

Se me afasto é por que
preciso que você venha
me alcance e me detenha
antes que deveras longe

Não sei se faço por onde
Mas isso é tudo que eu quero

Também me apavora
este salto no escuro
Não é assim tão simples
Mas estou capaz de tudo

Se você está pensando
que isso tudo é egoismo
é porque você não espera
aqui, à beira do abismo

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sem Título VIII

Não quero ver você chorar
mas vou limpar suas lágrimas
Lhe ofereço o coração
basta você ficar aqui:
A primavera há de vir
nesta ou em qualquer estação

Mas nada é assim tão fácil...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sem Título VII

O dia amanheceu num contra-luz macabro.
Mas agora o céu está tão azul e as cores tão saturadas...
Isso tem que querer dizer alguma coisa!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sem Título VI

Tente ser sempre
aquilo que querem que seja
Espere pra ver, então veja
que não é nada tão bom de se ser

Quem mente e sente,
sendo algo incompleto e vago,
podendo ser pleno e vasto,
não clamará seu reino pra si

Já dizia o poeta:
o mundo passa a ser seu
quando se aprende a amar
Tão o mundo não é meu
e eu nem sei onde vai dar

Se me olha
Como quem olha apaixonado
Se me nota
Já que tem tudo anotado

Tome por seu
o mundo meu
pois dele
não sou mais eu
quem toma conta

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Sem Título V

Nosso espaço mais sincero
É aqui neste palácio
Meus são todos os abraços
No laço forte que eu quero

Me despedaço neste traço
E traço um braço de mar
Nesta orla e neste passo
Pra não dizer que estou a amar

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Sem Título IV

Não estou apaixonado
Só 'tou obcecado
Por algo
Que eu não posso ter

Não estou dissimulando
Só quero saber quando
Sua estante
Vai ter espaço pra mais uma

Não faço questão de apego
Só ouça meu apelo
Olhe no espelho
Tudo que você mais deseja

Se estou tão violento
É porque meu andar lento
Já transborda de pressa
Pra que nada lhe impeça

De andar no mesmo passo
De passar de um abraço
E terminar num maço
Antes que chegue março

E venham as águas
Que fecham o verão

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sem Título III

Do teu pescoço lacerado
Jorra o fluido
Que bombeia o meu coração

Na minha cabeça lunática
Piscam as luzes
De cores mais assustadoras

Os gritos mais intensos
Ensurdecem meu silêncio
Que tanto tem me confortado

E os teus olhos,
Como natureza morta,
São levados pelo mar

Pra repousar na escuridão
Que tem me feito companhia

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sem Título II

Hoje não achei a bela
tão bela
O magnífico
é desprezível
E o doce
é um amargo
que minha boca não quer provar

Hoje acordei com o pé direito
mas acho que sou canhoto
pra tudo que faço
como se fosse destro

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sem Título

Não me olhe assim
Você sabe que assim vai me ganhar
Seu sorriso é tão sincero
Ah, céus... é tudo que eu quero

Não chore agora
Pois eu não gosto de lhe ver sofrer
Cada lágrima caída
É um pouco mais da minha vida...

De onde vem essa dor?
Ah, se eu pudesse...

Se não lhe parece certo,
Quem sou eu pra me opor?