Olhos seus
Podiam ser
de qualquer cor
Azuis como o céu
Profundos como o mar
Penetrantes como frio gelo
pr'arrepiar até a raiz do fio de cabelo
mas não
Verdes como limão
Agridoces com um gosto de mistério
Ou leves como a brisa que balança as folhas
das árvores da mata na manhã de verão
mas não
Pretos como o breu
Incógnitos e firmes
Que obrigam a chegar um pouco mais perto
pr'apreciar o castanho que lhe consiste
mas não
Não ao céu
não ao limão
não ao breu
Pois eu já sei
nenhuma canção
pode dizer como é
a sensação
de ver os seus olhos
assim, cor-de-mel.
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quinta-feira, 8 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Sem Título X
O caminho mais simples
nem sempre é o mais fácil
Pois pra buscar um sim
É difícil pra caralho
A mudança de estações
E a mudança de corações
Não ocorrem ao mesmo tempo
E assim continua sendo
Pois não dá pra ver o destino
que cada vez chega mais perto
Se uma silhueta no caminho
tampa toda a vista decerto
Mas se a cabeça insiste
em não olhar pro lado
e ver o que aí existe,
sou eu quem fica de lado
nem sempre é o mais fácil
Pois pra buscar um sim
É difícil pra caralho
A mudança de estações
E a mudança de corações
Não ocorrem ao mesmo tempo
E assim continua sendo
Pois não dá pra ver o destino
que cada vez chega mais perto
Se uma silhueta no caminho
tampa toda a vista decerto
Mas se a cabeça insiste
em não olhar pro lado
e ver o que aí existe,
sou eu quem fica de lado
domingo, 4 de dezembro de 2011
Sem Título IX
Sou um poeta que explora
um lado errado do verso
e é por isso que lhe peço
para que me compreenda
Se me afasto é por que
preciso que você venha
me alcance e me detenha
antes que deveras longe
Não sei se faço por onde
Mas isso é tudo que eu quero
Também me apavora
este salto no escuro
Não é assim tão simples
Mas estou capaz de tudo
Se você está pensando
que isso tudo é egoismo
é porque você não espera
aqui, à beira do abismo
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Sem Título VIII
Não quero ver você chorar
mas vou limpar suas lágrimas
Lhe ofereço o coração
basta você ficar aqui:
A primavera há de vir
nesta ou em qualquer estação
Mas nada é assim tão fácil...
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Sem Título VII
O dia amanheceu num contra-luz macabro.
Mas agora o céu está tão azul e as cores tão saturadas...
Isso tem que querer dizer alguma coisa!
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Sem Título VI
Tente ser sempre
aquilo que querem que seja
Espere pra ver, então veja
que não é nada tão bom de se ser
Quem mente e sente,
sendo algo incompleto e vago,
podendo ser pleno e vasto,
não clamará seu reino pra si
Já dizia o poeta:
o mundo passa a ser seu
quando se aprende a amar
Tão o mundo não é meu
e eu nem sei onde vai dar
Se me olha
Como quem olha apaixonado
Se me nota
Já que tem tudo anotado
Tome por seu
o mundo meu
pois dele
não sou mais eu
quem toma conta
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Sem Título V
Nosso espaço mais sincero
É aqui neste palácio
Meus são todos os abraços
No laço forte que eu quero
Me despedaço neste traço
E traço um braço de mar
Nesta orla e neste passo
Pra não dizer que estou a amar
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Sem Título IV
Não estou apaixonado
Só 'tou obcecado
Por algo
Que eu não posso ter
Não estou dissimulando
Só quero saber quando
Sua estante
Vai ter espaço pra mais uma
Não faço questão de apego
Só ouça meu apelo
Olhe no espelho
Tudo que você mais deseja
Se estou tão violento
É porque meu andar lento
Já transborda de pressa
Pra que nada lhe impeça
De andar no mesmo passo
De passar de um abraço
E terminar num maço
Antes que chegue março
E venham as águas
Que fecham o verão
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Sem Título III
Do teu pescoço lacerado
Jorra o fluido
Que bombeia o meu coração
Na minha cabeça lunática
Piscam as luzes
De cores mais assustadoras
Os gritos mais intensos
Ensurdecem meu silêncio
Que tanto tem me confortado
E os teus olhos,
Como natureza morta,
São levados pelo mar
Pra repousar na escuridão
Que tem me feito companhia
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Sem Título II
Hoje não achei a bela
tão bela
O magnífico
é desprezível
E o doce
é um amargo
que minha boca não quer provar
Hoje acordei com o pé direito
mas acho que sou canhoto
pra tudo que faço
como se fosse destro
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Sem Título
Não me olhe assim
Você sabe que assim vai me ganhar
Seu sorriso é tão sincero
Ah, céus... é tudo que eu quero
Não chore agora
Pois eu não gosto de lhe ver sofrer
Cada lágrima caída
É um pouco mais da minha vida...
De onde vem essa dor?
Ah, se eu pudesse...
Se não lhe parece certo,
Quem sou eu pra me opor?
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