sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Chuva Real

Deixo caírem as gotas todas
e se fundirem ao rosto
e só sou descoberto
pelo salgado no seu gosto

Pois de dia era sol
e de noite era lua

Deixo cair, uma por uma
e se fundirem ao rosto
e só sou descoberto
por seu som soluçoso

Pois de dia era sol
de noite era lua

Pois ontem era só
e hoje sou chuva

domingo, 11 de agosto de 2013

Fábula da Árvore

Era uma vez uma árvore muito indignada.

Ela não conseguia aceitar o fato de que todas as árvores tinham que permanecer estáticas, só vendo a vida passar diante de suas folhas.

Conversava com as anciãs. Algumas delas eram tão altas, que iam muito além da vista. Sempre orgulhosas por terem vivido séculos, enxergarem vários outros pela frente. Mas sempre paradas no mesmo lugar.

A pobre árvore indignada, baixinha, com seus troncos retorcidos, não iria mesmo ficar ali a sua vida toda. Acreditou no seu sonho. Com muito esforço, ergueu seu tronco e foi arrancando as raízes do chão. Usou quase todas as suas energias para puxá-las. Aquelas raízes profundas não sairiam dali tão fácil.

Finalmente conseguiu se mover, com as raízes fora da terra, deu o primeiro passo. Tombou e morreu.

Moral da história: não seja uma árvore
Moral da história #2: se você for uma árvore, não seja uma do cerrado
Moral da história #3: se você for uma árvore do cerrado, sinto muito
Moral da história #4: árvores não leem blogs, então essas morais aqui não fazem nenhum sentido.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Se bastando

Tu deves aprender
a viver com o que tens
e se não tens ninguém
aprende a ser só

E é só assim que
não vais te arrepender
do que vem e não vem
de quem vem ou não vem

Aprende a ser si
Aprende consigo
Se houver um amigo,
quem sabe, talvez
daquela outra vez
enxergarias
em outras vias
em outras vidas

sábado, 13 de abril de 2013

Por sonhar acordado

Quero amar o mundo
Somar o fundo e torná-lo março
Esperar um segundo por tudo que eu faço
E agir num momento desapropriado

Quero tentar de tudo
Fazer um agudo virar um garfo
Partir do assunto da minha vontade
Saciar este sedento, este covarde

sábado, 23 de março de 2013

Declarações Aleatórias #29

Aquele momento da vida em que você começa a pensar que todas as linhas que você traçou não apontam pra lugar nenhum...

Modo de Preparo

Sim! Daquela vez fiz tudo certinho!!! Juntei todos os ingredientes. Na ordem certa! Misturei todos, até formar uma massa homogênea. Bati tanto que até doeu o braço! A massa tava com uma cara deliciosa! E com um gosto também! Tinha tudo pra dar certo!

Untei as formas. Isso eu sei fazer muito bem! Margarina, depois  farinha de trigo! Tudo certinho! O que sobra da farinha de trigo, é só jogar na massa e dar mais uma mexidinha. Hora de levar ao forno. Tudo estava muito bem encaminhado. Foi muito emocionante ver a massa crescendo, ganhando consistência. Tudo aquilo através daquela tela quente, mais emocionante que a Tela Quente.

Mas aí começou a abaixar. Foi tudo murchando, decaindo. Meu bolo solou. Solou! Preparei tudo com tanto carinho, tanta atenção, mas ele solou. Não importa se tudo que eu tinha feito me pareceu certo ou não. Ele solou. Talvez eu tenha errado no ponto em algum ponto. Solou. Nem gostoso ele ficou. Solou. Das outras vezes tinha ficado bom, mesmo murcho. Mas solou e ficou ruim.

E a cara de pau para servir em 10 porções? Cadê???

terça-feira, 12 de março de 2013

Passado Apegado

O mais dedicado
é o menos necessário

É o mesmo que quer
que passe essa mágoa
mas não passa
e tudo é sem graça

Ele que brilhar
na próxima página
Tem potencial
mas disso não passa
por mais que se esforce
por tudo que faça...

Não sabe por quê
Por mais que reflita
Não sabe
e sua vida aflita
segue em frente
e toca a fita
que já cansou de ouvir...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Chuva Imaginária

São gotas de chuva batendo na janela
que eu não tenho...
Este vidro inexistente impedindo que se lave minha alma
que nem se sujou...

Por que vem essa chuva com tanto vento?
Por que ainda há tanto que eu não entendo?
Eu só fico com este reles contento?

E a chuva bate, fazendo questão de me lembrar
que ela está lá...
E os trovões ajudam, os trovões gritam uma dor
que já não é minha.

Mas onde dói,
se não em mim?
Pois não sou um só
e nem é por empatia

Que fica
e que vai
e que fica...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Naveguei

Um afago, desabafo
um chocolate meio-amargo
sorvete, alfajor e um abraço
nada fora do tratado

Um par de olhos, um oceano
e me encontro à deriva

Um lampejo, uma coincidência
um desejo, uma inconsequência
um ritmo, uma cadência
uma latência, uma ardência

Um par de olhos, um oceano
e me encontro navegando
Nem sei se sou eu quem me navega
eu só me deixo navegar...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Querido Diário #6 - Dois mil e dorze


É, galhéara. Mais um ano chegando ao fim. E aqui venho eu com a tradicional postagem de fim de ano. Tradicional por que eu faço desde 2009, pulando somente 2010, o que faz incríveis.......... DUAS POSTAGENS. De qualquer forma, farei disto uma tradição. E outra coisa que me pegou de surpresa foi ver que já faz mais de QUATRO ANOS que eu tenho este blog. Isso é tempo pra caralho!!! Talvez outro dia, quando eu voltar do hiatus que aqui propus, eu escreva sobre isso. Voltemos ao tópico real da conversa.

2012. Que ano escroto. O sentido ruim de escroto. Eu, relendo os posts antigos, vi que pensava que 2009 tinha sido um ano difícil... Eu mal perdia por esperar! 2012 já começou dando uma porrada na minha cara. Daí pra frente foi ladeira abaixo. Tiveram momentos bons (ah, Rio de Janeiro...), mas o que teve de dia ruim não foi pouco. Ruim de doer o estômago. E o corpo todo. Muito.

Em post anterior eu disse que 2011 tinha sido um ano de pessoas. 2012 também. Mas em um sentido muuuuuuuito diferente do que eu quis dizer no outro ano. Este foi um ano de cunho muito mais íntimo e sentimental. Um ano daquelas viradas de mesa incríveis onde você descobre novas pessoas nas pessoas que você já conhece e algumas assumem papel totalmente diferente do que antes tinham no seu círculo social.

Este ano, acima de tudo, descobri o valor da amizade. Ter aquelas pessoas que fariam (e fizeram) uma viagem toda só pra garantir que você fique bem... (e isso pra dizer o mínimo!) realmente não tem preço.

Mas o importante de tudo é que, apesar dos solavancos que a vida me deu, que desta vez foram os mais fortes que já me aconteceram, eu consegui levantar. Não sei exatamente de onde, mas consegui juntar forças e me reerguer. E os amigos têm muito crédito nisso. Hoje finalmente consigo ter um olhar otimista diante das coisas, posso fazer planos novamente e sonhar alto, algo que já tinha esquecido como fazer.

Nem tudo está perfeito, mas também nunca estará. Ainda há dias ruins, mas dias bons são maioria dominante. Assim estou e assim pretendo continuar, pois o futuro me espera e eu tô chegando lá! Afinal, "Dois Mil e Treze" tem 13 letras, assim como Pedrinho Paiva. 2013 vai ser o meu ano e não vou deixar ninguém (nem mesmo eu) tirar isso de mim.

Câmbio, desligo.